O Chaves desperdiçou ontem uma excelente oportunidade para alcançar a primeira vitória no campeonato, mais por culpa própria do que por mérito alheio. Num jogo onde não soube aproveitar a superioridade númerica de uma hora, os flavienses cometeram ainda um grave erro, ao "oferecer" o golo da igualdade aos visitantes, num lance onde o perigo foi criado pela sua própria defesa.
Após uma primeira parte de algum brilhantismo, culminada com o golo de Carlos Pinto já sobre o intervalo, esperava-se a confirmação da superioridade trasmontana na etapa complementar. Mas, em vez disso, surgiu a inesperada "oferta" da defesa local, que permitiu o golo do empate ao Portimonense, apontado por Pires.
Esta igualdade poderia ter sido desfeita por várias ocasiões, com destaque para um chapéu de Carlos Pinto (70'), salvo sobre a linha de golo por um defesa visitante. O empate acaba por ser frustante para o Chaves, face ao superior desempenho ao longo dos 90 minutos.
DECLARAÇÕES
Não conseguimos ganhar porque, mais um vez, fomos pouco felizes a nível ofensivo
Ricardo Formosinho, treinador do Chaves
O resultado aceita-se, já que jogámos muito tempo em inferioridade numérica
O Chaves dispôs das melhores oportunidades para inaugurar o marcador com o Portimonense a tentar responder e a jogar com a bola no pé. Logo aos 7 minutos, Clemente, sozinho na marca de grande penalidade, não deu melhor seguimento a cruzamento de Danilo, rematando de primeira muito por cima. Dois minutos mais tarde, fífia monumental de Alê que, saindo da área, mede mal o tempo de cabeceamento e vê a bola passar por cima de si. Capuco ganha o lance em velocidade e, descaído pela esquerda, sem ângulo de remate, dispara ao poste. Aos 20 minutos é Castanheira que faz um chapéu perfeito a Alê. Só não foi golo por intervenção de Adriano que, em cima da linha, consegue impedir que a bola se dirija para as redes. O Chaves criava grande dificuldades pelo lado direito e Pedroso, muito desapoiado, recorreu várias vezes à falta para travar o adversário que lhe surgia: normalmente era o rapidíssimo Capuco. Foi precisamente por acumulação de amarelos (18´e 34´) que o lateral esquerdo do Portimonense veio a ser expulso. Com culpa do próprio jogador que já estava avisado pelo árbitro... e de Lito Vidigal que demorou eternidade para fazer entrar Nilson quando se adivinhava a expulsão a qualquer momento. Com o jogo condicionado desde esse instante, o Chaves carregou e veio a marcar o primeiro golo aos 45+1´ por Carlos Pinto na sequência de um pontapé de canto em que o jogador flaviense surge sozinho, dentro da área, à boca da baliza com Pedro Moita a ficar "colado" ao poste que defendia, pondo em jogo o ataque flaviense. Reclamou-se fora de jogo mas sem razão.
2ª Parte
Esperava-se o acentuar da pressão da equipa da casa mas o Portimonense esteve sempre seguro a defender. Lito Vidigal abdicou da construção de jogo, tirando Diogo (lento e pouco em jogo) e Aragoney (não desequilibrou). Para os seus lugares entraram Calado (fechou o eixo da defesa, passando Rúben para a esquerda devido à expulsão de Pedroso) e Traoré. O Portimonense passou a tentar jogo directo com dois homens da frente mas poucas vezes conseguiu criar dificuldades. O golo do empate, aos 52´, foi uma das raras excepções. Pires, na sequência de um canto, cabeceou ao 2º poste e igualou o marcador.
O Chaves dominou, teve grande posse de bola mas as situações de golo escassearam. A melhor ocasião surgiu aos 69´quando Carlos Pinto apareceu desmarcado nas costas da defesa entre os centrais do Portimonense. A conclusão do lance em chapéu permitiu que Alê tocasse a bola por cima da baliza. Só aos 85´registámos outro lance digno de registo para o Chaves. Alê desarmou em carrinho um atacante que se aprestava para dominar a bola à entrada da pequena área Portimonense. Aos 91´minutos Ricardo Pessoa teve oportunidade para fechar o jogo com um golo de livre directo mas rematou mal.
Em conclusão:
O Portimonense tem que ficar satisfeito com este empate e passa a somar 7 pontos à 3ª jornada: um registo excelente. O resultado final penaliza a equipa da casa que poderia ter feito mais para conseguir a vitória. Ficamos também com a sensação que, com 11 elementos, o Portimonense teria condições para contrariar o Chaves que se apresentou na 2ª parte: sem ideias e longe do dinamismo que tanto incomodou o Portimonense nos primeiros 45 minutos...
Os destaques:
Registamos as boas exibições de Balú e Adriano que merecem o nosso sinal "+" pela entrega, por terem fechado os caminhos para a baliza Portimonense e pela força física. No ataque, Pires foi protagonista em todos os lances perigosos da nossa equipa. Avançado móvel e tecnicista cuja área de intervenção se estende, quer pelo centro, quer descaíndo pelos flancos. Marcou o golo do empate e, com outro apoio, poderia ter feito mais. Pela negativa, Diogo esteve muito abaixo do desejável. Pedro Moita também merece nota negativa por ter ficado "a dormir" no lance do golo do Chaves e por ter sido pouco dado a ajudar Nelson Pedroso enquanto este esteve em campo, em sérias dificuldades.
Ficha de jogo Estádio Municipal de Chaves
Desp. Chaves: Rui Manuel; Danilo, Ricardo Rocha, Heslley (Lameirão, 15´), Eduardo; Bamba (Vítor Silva, 66´), Bruno Magalhães, Carlos Pinto, Castanheira; Capuco e Clemente (Diop, 56´).
Suplentes não utilizados: Casaleiro, Vítor, Samson, João Fernandes
Este Domingo o Portimonense joga em Chaves, às 11:15h em horário ajustado à transmissão televisiva na Sport TV. Sendo o jogo geograficamente mais a Norte de Portugal, esta será porventura a transmissão televisiva que qualquer adepto do Portimonense gostaria de ver pois, à partida, poucas pessoas estariam dispostas a percorrer cerca de 800 kms (e outros tantos no regresso) numa viagem de fim-de-semana.
O Chaves subiu esta época à Liga Vitalis mas ainda no final da década de 90 percorria os palcos da antiga 1ª Divisão, tendo inclusivamente chegado a disputar a Taça UEFA (87/88). Trata-se pois de um clube que tem algumas semelhanças com o Portimonense no seu passado recente ao mais alto nível.
Um dos jogadores do actual plantel é Heslley que bem conhecemos do Portimonense, onde alinhou com regularidade na temporada passada no eixo da defesa. E se lhe dissermos que Chaves foi também a segunda casa do nosso conhecido Guetov, numa segunda passagem por Portugal, longe de alcançar o sucesso que conheceu no nosso clube?
Esta temporada na Liga Vitalis, o Chaves foi derrotado em casa (0-1) pelo Feirense e alcançou um empate (2-2) no terreno do Desp. Aves. Na Carlsberg Cup venceu (1-0) em casa o Santa Clara mas acabou fora da competição na 2ª mão, nos Açores, nas grandes penalidades.
Apresentamos o resumo alargado do Chaves - Santa Clara (Carlsberg Cup - 1ª mão) que nos permitirá conhecer o terreno de jogo deste Domingo e perceber como se movimenta a equipa flaviense. A partida merece cobertura especial com várias entrevistas e um comentador que não se cansa de criticar... Cosme Machado!
O Desportivo de Chaves tem ligeiro favoritismo para o jogo de Domingo frente ao Portimonense. Verificámos os sites de apostas Bwin e Bet-At-Home que coincidem nas previsões de resultados. Estamos em crer que este ligeiro favoritismo da equipa flaviense se deva ao factor casa. Apresentamos as tabelas retiradas esta manhã dos dois sites de apostas cuja superior valorização financeira de uma vitória do Portimonense indica que este será o resultado menos provável embora de forma bastante equilibrada.